Sanas e Pranayamas: uma parte integral Astanga Yoga

Todo ser humano tem necessidade de conhecer Yoga nesta era de ciência e tecnologia. O homem de hoje está envolvido na roda de um mundo mecânico. Ele está perseguindo o pássaro de ouro dos benefícios das criações da ciência, mas está impedindo a sí mesmo de obter a prosperidade.  Os antigos Ṛṣis da Índia descobriram, após intenso esforço, que a verdadeira felicidade está mais em alcançar o conhecimento espiritual do que a felicidade material. O meio de se conseguir a felicidade espiritual é o Yoga. Os antigos Ṛṣis experimentaram o espírito do yoga. Eles transmitiram suas experiências as gerações posteriores para o beneficio da humanidade, através de trabalhos escritos e ensinamentos orais. Estes ensinamentos foram repetidos a cada geração e estabeleceu-se a saudável tradição dos Gurus.

O resultado da transmissão deste ensinamento é o Aṣṭāṅga Yoga. Aquele que segue este sistema gozará a vida e se beneficiará de uma maior felicidade.
O que é Yoga? Para quem serve? A mente, por natureza, é muito oscilante. Yoga é a arte e a ciência de dominar esta mente oscilante e dirigi-la para sua verdadeira fonte. Patañjali Mahaṛṣi assim diz: “Yoga citta vṛtti nirodhadh”. Isto é necessário a todos os seres humanos, sem levar em conta sexo ou idade. Quando a mente humana é pura e clara, a alegria da felicidade material torna-se mais significativa. Yoga ajuda-nos a libertar nossas mentes de todas as agitações. A mente é a causadora de toda a tristeza e felicidade humanas. É por esta razão que os sábios disseram: “Mana Eva manusyānām karānam bandha mokṣāyo”.
A mente oscilante é comparada ao movimento do mercúrio. Se for controlada e canalizada para sua origem através de práticas de Āsana e Prāṇāyāma, é possível se experimentar a natureza do verdadeiro eu. Isto, em outras palavras, chama-se, salvação. A mente agitada e oscilante satisfaz prazeres materiais e, conseqüentemente, torna-se escravizada.

Escravidão significa infelicidade. Uma indulgência excessiva para com a felicidade material, que nada mais é que a felicidade dos sentidos, portanto, ilusória, temporária e não satisfaz. Qualquer excesso de indulgência dos sentidos resultará em enfermidade e maior infelicidade. Manter o corpo, a mente, o intelecto e os sentidos puros e fortes é a essência do Aṣṭāṅga Yoga.
É uma pré-condição, manter o corpo, a mente e os sentidos fortes para experimentar a felicidade da benção espiritual. “Nayamātma balahsenena labhyah”. O indivíduo consegue a força do corpo, mente e sentidos, através de Āsana e Prāṇāyāma. Citando Patañjali: “Āsana jayat dvaṁdva anabhigatah”, diz que o praticante de Āsana e Prāṇāyāma terá um controle melhor sobre o frio, calor, felicidade e infelicidade. Yogi Yājñavalkya tem opinião semelhante: “Tritiya kalastho havi s vayam saṁhṛta e prabham Tritiya sthitoyogi vikāra, mānasam tathā”. Assim como o sol da tarde torna o mundo feliz, radiando os raios frescos e agradáveis, aqueles que praticam meticulosamente o terceiro estágio do Aṣṭāṅga Yoga ficarão livres de distúrbios mentais e físicos. Na ordem de yama, niyama, āsana, etc., Āsana é o terceiro estágio. Conseqüentemente, Āsana nos liberta das perversões mentais (vikāra). Assim, Āsana e Prāṇāyāma são quase que a base do Aṣṭāṅga Yoga. É difícil ter o domínio sobre o Prāṇāyāma, sem dominar o Āsana. É igualmente difícil praticar Pratyāhāra, Dhyāna e Dhāraṇā sem dominar Āsana e Prāṇāyāma.

Quanto mais se praticar Āsana e Prāṇāyāma, melhor. O corpo torna-se brando, forte, e flexível. Isto fará com que o corpo se livre de enfermidade. Se o corpo cai vítima de uma enfermidade, curar-se-á com Āsana e Prāṇāyāma. Mesmo doenças como diabetes, asma, epilepsia, perturbações gástricas, reumáticas, paralisia, etc., podem ser prevenidas e curadas com Āsana e Prāṇāyāma.
Āsana e Prāṇāyāma deveriam ser apreendidos somente com a ajuda e direção de um conhecedor na matéria. Não podem ser apreendidos somente pela leitura de livros e por fotografias de posturas de Yoga. “Vinā vinyāsa yogena āsanādin na kārayet”, diz Vamana, uma autoridade em Āsana de yoga e Prāṇāyāma.
Quantos Āsana há? Como praticá-los “Āsananicha tavanti yāvantyo jīva rāsayah”, dizem os Upaniṣad. Significa que há tantos Āsana quantos são os seres vivos. Estima-se que há oitocentos milhões de seres vivos. Mas conhecem-se aproximadamente trezentos Āsana. Mais ou menos cem deles são praticados. Alguns se destinam a curar enfermidades e outros a purificar o sistema psico-físico. As pessoas não precisam praticar todos os Āsana. Eles devem ser praticados de acordo com a constituição física, idade e habilidade do praticante. É possível manter o corpo livre de enfermidades com este método.
O corpo humano é um mecanismo muito complexo. Não pode permanecer sempre na mesma condição. Haverá variações no sistema devido a modificações na dieta, nas atividades, etc. Geralmente, cuida-se do corpo externamente. Internamente não se cuida de limpá-lo. Esta é a causa das enfermidades. É possível limpá-lo externamente e internamente pelo método yogui. Ele vai garantir que o corpo se livre das doenças. Daí a importância de Āsana e Prāṇāyāma para homens e mulheres.

É necessário praticar diversos Āsana para atingir, no mínimo, a perfeição de um Āsana. É depois de se atingir a perfeição no Āsana, que o  Prāṇāyāma se torna fácil e eficiente. Citando a autoridade “Tasminsati avasa prachvāsayorgati vichedad prāṇāyāmaḥ”.

Se Prāṇāyāma é praticado sem Āsana, os músculos tornam-se moles e flácidos; em conseqüência disso, um movimento irregular de ar pode enfraquecer os sentidos e pode prejudicar a boa forma do corpo. Pode agir na pressão sanguínea causando enfermidades. Pode até afetar o cérebro. Fora disso, um profundo conhecimento de Bandham (de diferentes regiões, como o Mūlabandha, Udyānabandha e Jālandharābandha), é essencial para compreender a técnica do Prāṇāyāma. Pode-se controlar Bandha, se os Āsana são bem feitos. São em número de 8 aproximadamente.

“Suryabhedanam Ujjāyi sītkarī śītalī, Bhastrika Bhrāmari Mūrchā Plāvinityasta Kumbhakāh” diz Śaṁkarācārya “Sahasrasassanti hatesu kumbhāhsā jṛmbhate kevala kumbha eva”. Não se exige todos estes para a manutenção da saúde física e mental. Isto, aprendido através de um guia especializado, traz efeitos convincentes, “Kriyaiva Kāraṇam siddhed na cha tatkāranam kathā, na sāstra pāthmātrena yogasiddhih prajāyate”. Não é somente vestir o manto ocre que importa, nem a pretensão de dhyāna com os olhos fechados. O que é essencial é uma prática muito sincera e honesta, Não há distinção entre um sanyasi ou um brahmacari (solteiro) ou um chefe de família – todos deveriam praticar. Na verdade, é um acontecimento muito feliz notar que o governo do Brasil, o povo e todos os entusiastas de Yoga organizaram um congresso internacional de Yoga, focalizando a atenção de todos, para conhecer a natureza genuína e duradoura do Yoga. Eu rogo à Deus que tais convenções sejam realizadas freqüentemente para educar os aspirantes de Yoga, para que possam distinguir o Yoga genuíno do falso.